A consolidação do mito CL TAMANDARÉ.
Os mitos de uma sociedade muito contribuem para fortificá-la e dar-lhe notoriedade.A aglutinação de Marinheiros em torno das suas vivências relacionadas com o CL TAMANDARÉ, sem dúvida, tem explicação na mitologia associada ao notável cruzador.São personagens, da saga do CL49 "Saint Louis"/CL-12 "Tamandaré". Se você serviu no CL Tamandaré, contribua contando-nos sua história que será transcrita nesta página.Para isso preencha o formulário abaixo.

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Ministro Mauro Cesar Rodrigues Pereira
Não sei se ouvi falar do Tamandaré em meus tempos de Colégio Naval, nem mesmo em 1953, no meu primeiro ano como Aspirante. Mas em janeiro de 1954, quando tive minha inesquecível e primeira grande experiência marinheira, a bordo do NE Guanabara, o belo navio-veleiro, já o vi de longe, junto ao Barroso, integrando a Força-Tarefa a que por vezes nos incorporávamos. Dava-nos respeito e admiração por sua silhueta imponente de navio de guerra, onde só estavam viajando, no programa de instrução, os Aspirantes de turma mais antiga. Em janeiro de 1955, vi-o de perto, embora embarcado no Barroso. Naquele ano, para a viagem de instrução em janeiro, desembarcaram boa parte da tripulação, principalmente nas Divisões 1a e M, substituindo-a por Aspirantes. A vida foi dura, mas empolgante e nos permitiu aprender a participar da salutar competição entre os dois cruzadores, que não trazia desavenças, mas motivava cada um na busca por fazer melhor. De regresso à Escola, cada grupo defendia o seu navio, porém os relatos sobre o Tamandaré pareciam ser mais atraentes. 11 de novembro de 1955. De uma nesga de balaustrada do pátio Inhaúma, espremida entre a Ala Velha e o alojamento de madeira provisório, que então bloqueava quase toda a vista da entrada da barra, assisti o lindo barco, sereno, de porte altivo, deslizar junto à Laje e Santa Cruz, fazer-se ao mar e, logo após, ver-se rodeado de colunas brancas que se erguiam dos projéteis caídos nágua, em seqüência ao troar dos canhões das fortalezas. Meu coração pulsou forte, mas só bem mais tarde vim aquilatar o quanto de coragem representou aquele episódio, inclusive na decisão de não revidar, o que seria fácil e devastador. O grande guerreiro cumpria mais um episódio de sua vida gloriosa, com muitos momentos sob fogo intenso. Creio ter sido no dia da Declaração de Guarda-Marinha ou em alguma cerimônia antes de embarcar no velho Duque de Caxias, que um Primeiro-Tenente, com forte sotaque maranhense, aproximou-se de mim no Pátio Saldanha e me perguntou se eu gostaria de embarcar no Tamandaré. Surpreso com a honra de ter sido consultado e logo para receber uma comissão almejada no Tamandaré, não hesitei na resposta afirmativa, sem mesmo avaliar a antiguidade de quem me consultava e sem conhecer Washington de Oliveira Viegas, companheiro de muitas lutas mais adiante. Comecei 1957 a bordo do Tamandaré, cumprindo minha primeira comissão de oficial. Não viajávamos, porque o navio fora colocado indisponível, até que se determinassem as causas de excessiva corrosão nas caldeiras, posteriormente atribuída a excesso de vanádio no óleo recebido certa feita. Mas a vida era intensa, na manutenção dos equipamentos e na observância rígida da disciplina e do adestramento da enorme tripulação. À época, o serviço no porto era a quatro divisões para oficiais, suboficiais e sargentos e a três quartos para as demais praças, o que nos dava oportunidade de permanecer vários dias a bordo, estreitando conhecimentos e amizades, conhecendo melhor o navio, cultivando as tradições. Em junho, mandaram-me viajar no Bahia Thetis, navio-escola argentino. Quando voltei, seis meses depois, ansiava por retornar ao navio, mas quase a Diretoria do Pessoal me destina a algum rebocador fora de sede, no afã de encontrar incautos e os designar para fora do Rio de Janeiro; salvou-me uma providencial ida a bordo, para pegar o rancho. Felizmente, havia construído um bom nome no primeiro semestre e o Imediato, mostrando-se frustrado com a perspectiva de eu não retornar, agiu rápido com o Comandante, alterando favoravelmente as intenções da DP. Até ir cursar eletrônica, em meados de 1960, permaneci embarcado e fiz curso completo de armamento, tendo estado como 3o, 2o e 1o. Ajudante da Divisão F (Direção de Tiro) e Encarregado das 4a, 3a e 1a Divisões; só nos últimos meses, transferi-me para o Departamento de Operações, a fim de assumir a Divisão O-3 (CIC). Feito esse registro, para localizar o que tive de vivência, não pretendo alongar-me com relatos de episódios e de fatos, que marcaram os mais de três anos ali passados - com viagens empolgantes; com tiros precisos; com a emoção de calcar a chave de fogo no calculador da Previsora e sentir o tranco de uma bordada completa das cinco torres de 6 polegadas; com as fainas reais de incêndio em alto mar, quando se aprende a ter mais coragem; com os alinhamentos de bateria e as deduções teóricas para encontrar variações de procedimentos que melhor se adaptassem às circunstâncias reais de sua realização; com o recurso aos estudos acadêmicos para deduzir a causa de oscilações no mecanismo de conteira, que teimava em fazer dançar a pesadíssima Torre 2; com o acendimento das oito caldeiras e a vibração do aço desenvolvendo 30 nós; com a beleza do exercício da liderança pelos velhos Suboficiais, tipificada pela presença firme do "seu" Antonio, o respeitado e respeitoso Artilheiro-Chefe; com a condução da marinhagem, então ainda muito rude e carente de pulso enérgico, mas amigo; com a camaradagem de Praça d'Armas e a orientação dos mais antigos... Desde cedo percebi o que de influência proveitosa esse início de carreira teve em minha vida. Logo dirimi a dúvida, que pairava nas discussões entre tenentes de cruzadores e contratorpedeiros, ou de navios menores - entre adquirir mais rápido o safismo de quem se vê solitário nas vicissitudes dos passadiços e tijupás ou esperar para só mais tarde fazer, por sua iniciativa, o que aprendeu vendo erros e acertos dos outros - sem dúvida é muito mais efetiva a escola dos cruzadores. Pude prová-lo, no Contratorpedeiro Araguari, onde nunca me faltou, nem a companheiros vindos do Tamandaré ou do Barroso, qualquer parcela de iniciativa, enquanto sobravam-nos conhecimentos para transmitir aos demais. Além disso, as bases sólidas que então formei, a avaliação das muitas experiências e testes que executei, acompanharam-me com nitidez até quando fui Ministro e pude devolver à Marinha parte do que aprendi. Foi em fase posterior, contudo, a conclusão sobre o papel dos cruzadores da década de 50 sobre toda a Marinha. O renascer e a nova maturidade, que se começou a formar depois da saída do torpor deixado pelo esforço inaudito da campanha na Segunda Guerra, tiveram uma grande e definitiva escola naqueles navios. Talvez tenham desaparecido um pouco cedo, porque não alcançaram a fase de capacitação para as grandes modernizações, nem os instrumentos fortes de administração do Plano Diretor. Entretanto, perpetuaram-se nas gerações ali formadas, fizeram história. Eram iguais? Não, pareciam-se muito, mas diferiam em detalhes de instalação e de armamento. Tinham o mesmo espírito? Bem próximo, porém tinha de ser aquele que primeiro reagiu em Pearl Harbour e foi heróico no Pacífico e no Atlântico, o que daria reboque... e morreria no alto-mar, sem ir ao ferro-velho! Não foi o acaso que deu ao Tamandaré o nome do patrono da Marinha, o maior dos marinheiros. O destino sabe que os navios têm alma e personalidade!


João Metello de Mattos - CC RNR
Recebi com muita satisfação o convite do Comte Sebastião Rego Barros para narrar episódios ocorridos durante meu embarque no CL Tamandaré. O que gostaria de relatar já o fiz em livro publicado pela Aliança Cultural Brasil - Japão.Trata-se de episódio relacionado com a participação na segunda guerra mundial do cruzador St Louis que inscreveu-se nos relatórios das marinhas que participaram dos combates.Posteriormente, com a incorporação do cruzador a MB com o nome de cruzador Tamandaré, o navio veio fazer parte da nossa história, e de certa forma trouxe consigo o conteudo de vivências anteriores, dos que percorreram seus conveses e habitaram suas cobertas e camarotes. No livro Kasuga- Tai, publicado pela Aliança Cultural Brasil- Japão, procuro mostrar essa teia de histórias pessoais, em particular episódios que ligam as marinhas do Brasil e do Japão.Não considero possível simplificar o contexto em que os episódios se passaram, mas para os colegas e demais pessoas que se interessarem pelo tema o livro que procura resgatar a história da Força Tarefa da Marinha Japonesa que atacou o navio em 27 de novembro de 1944 está a disposição na Biblioteca do Clube Naval.


Galdino Ernesto Santucci - CMG RRm
Lembrei-me de uma passagem envolvendo o Tamandaré, que ocorreu quando eu servia no CT "Ajuricaba" (D-11), navio que parecia ter uma sina de manobras erradas e acidentes, inclusive um "HOMEM AO MAR" com óbito, ocorridos com diversos Comandantes, culminando com o quase afundamento, que acelerou sua baixa do serviço, antes dos seus irmãos Classe "A", nas mãos de um dos mais competentes Comandantes que o navio teve, CF Geraldo Ávila de Malafaia.Devia ser o ano de 1959 ou 1960. Comandante: CF José Carlos PALHARES dos Santos. Estavamos em viagem de adestramento e executávamos uma passagem de carga leve quando, repentinamente, a distância entre os navios começou a diminuir e o choque foi inevitável, ficando o CT bastante avariado, culminando com a saliência do costado existente bem na popa do C 12 (berço do reparo de metralhadora) destruindo grande parte da nossa proa, abrindo um rombo considerável nos camarotes de oficiais de BB.Mas a imagem que nunca me saiu da memória (meu posto de combate era no passadiço e tive visão privilegiada do acontecido)foi o desespero do então 1º Ten Sergio LOURES da Costa, Encarregado da 1ª Divisão, que colocou as duas mãos no costado do Cruzador, como se pudesse empurrá-lo para afastá-lo e evitar o pior. Foi uma atitude instintiva, de grande coragem e risco que, como é óbvio, de nada adiantou. Retornamos e refizemos a manobra, agora sem nenhum problema, mas o silêncio na segunda faina era sepulcral, nem o mar se fazia ouvir.


Edson Alves Martins-Suboficial (CA-RRM)
Casualmente, encontrei essa página na Internet e me senti saudoso dos tempos que era ainda um jovem grumete e participei de várias viagens onde o meu navio foi escolta desse grande Cruzador, hoje me encontro no cais por motivo de estar na reserva e essa página me fez rolar algumas lagrimas de saudade. Bravo Zulu, está muito bem elaborada.


Amadeu S. Zullino
Em 1976 estive embarcado no CL Tamandaré como oficial médico . O mesmo estava atracado na Ilha de Mocanguê . Posteriormente fui transferido para o CT Paraná . Guardo boas lembranças dos meus dias de Marinha (estive na Marinha apenas 1 ano) e em particular , do tempo que passei embarcado no CL Tamandaré . Com a Internet encontrei meu antigo navio na USS Navy , como USS Saint Louis , mas encontrá-lo agora neste site foi mais gratificante . Parabéns .


Jaime Mosmann-SO(MO)Ref
Servi no C12 de 1970 a 1971 e fiz a viagem para Porto Rico. Na volta tivemos um incêndio na chaminé do diesel de ré. Tenho boas lembranças do navio que para mim foi uma grande escola. Após cursar MO voltei para o navio a pedido e de lá sai para a Força de Submarinos. Hoje estou reformado. A todos que serviram neste grande navio um grande abraço pois fomos todos da mesma escola .


Egberto Baptista Sperling - CMG (RRm)
Ao regressar de minha viagem de Guardas-Marinha, em dezembro de 1959, foi-me dada a oportunidade de optar pela primeira comissão como Oficial. Minha escolha não poderia ser outra, senão o CL Tamandaré, então Capitânea da Esquadra e orgulho da Marinha. Nào há dúvida de que embarquei emocionado, lá permanecendo até fevereiro de 1962, quando desembarquei para o Curso de Especialização, triste porque, se possível, continuaria a bordo por mais tempo. Durante meu embarque no C12, recebi o melhor aprendizado para a minha carreira, pois o Tamandaré foi uma excelente escola para centenas de oficiais e praças que por ele passaram. Fui Ajudante da 1a. Divisão e, a seguir, Encarregado da Divisão N e Chefe do Departamento de Navegação Interino (esta última função por cerca de oito meses). Tenho muito orgulho de ter servido no Tamandaré e sinto saudades do navio, que deveria ter sido mantido como memorial, em virtude de todos os acontecimentos históricos por que passou, tanto como USS Saint Louis quanto como CL Tamandaré. Por possuir alma, como todos os grandes navios, seu fim não poderia ter sido outro, recusando-se a ser sucata, pois seu passado de glórias só lhe reservava um destino, o fundo do mar, que tanto amou!


Joao Correia Filho - CBVN-RNR
Era um de meus grandes sonhos ter a chance de ter um ponto de referencia para encontrar os grandes marinheiros que serviram e fizeram parte da familia C12. Parece que Deus sentiu meu coracao palpitar por este grande desejo e hoje ja na madrugada navegando pelas paginas da WEB encontrei esta dadiva de Deus. Senti uma enorme alegria... Vieram as recordacoes e com elas a saudade dos anos de minha juventude em que tive a gloria de fazer parte da tripulacao de um dos mais importantes icones de nossa historia naval. Muito aprendi... nao so profissionalmente como tambem licoes de vida, exemplos de carater que ate hoje me servem como rumo. Ainda sinto orgulho de ter sido um marinheiro no CRUZADOR TAMANDARE e ainda mais por ter estado sob o comando de superiores que foram exemplos de profissionais e pessoas de irreparavel conduta e carater. Como marinheiro QSE eu fazia parte da divisao E sob o comando do tenente Gaspar, o chefe de maquinas o CC Teofilo Sinphronio e o Comandante na epoca era o CMG Hugo Stoffel. Servi no Tamandare ate este ser desativado. Lembro-me do dia em que desembarquei e dei um ultimo olhar para aquela silhueta imponente que aos poucos foi ficando ofusca pelas lagrimas que nao consegui segurar. Mas valeu Tamandare... nada foi em vao. As horas de pau no turbo gerador, apagar incendios no grupo diesel de re. O porto de Santos, Recife, Salvador e Rio Grande. Se hoje e saudade e porque valeu a pena, foi com um certo prazer. Parabenizo ao genio que teve a iniciativa de criar este ponto de referencia pois o Tamandare nao poderia ser esquecido e nem tampouco aqueles que fizeram parte de sua vida poderiam deixar de ter um local de encontro,como um santuario onde possamos fazermos nossas oracoes e agradecermos a Deus pela grande ventura de sermos o que somos.


Marcia Araujo
Foi uma surpresa muito agradável deparar-me com essa página, pois o Cruzador Tamandaré faz parte de várias passagens da minha infância, já que meu pai serviu nele.Fez viagens longas ao exterior e foram momentos de saudade, alegria ao retorno, expectativas,uma mistura de sentimentos. É muito bom saber que tudo isso está vivo aqui......


Jesus Assunção Vianna de Souza
Embarquei no Cruzador Tamandaré nos anos setenta. Apesar do pouco tempo foi o suficiente para sentir-me orgulhoso de tal fato. Tive a oportunidade de navegar algumas milhares de milhas, conheci todos os portos em que aquela belonave conseguia atracar, fiz diversos cursos, fiz parte de varias operacões dentre as quais a que encalhamos próximo a Buenos Aires, dentre muitas outras inclusive a que vitimou um grande amigo, JOAO DIAS FILHO, morto em um exercicio de recebimento de Helicóptero a bordo. Hoje na reserva, após 29 anos de serviços prestados a nossa gloriosa MARINHA DE GUERRA.


Gumercindo Prattes Conceição
Lendo a história do Cruzador Ligeiro Tamandaré,aqui muito bem narrada, confirma tudo aquilo que se falava do navio e do misticismo que envolvia seu nome.Não tive a honra de servir neste navio e exatamente a certeza de que nele jamais serviria, foi um dos fatores que me levou a sair do SAM e conto porque:Desde criança,sempre tive a imagem da MB relacionadas ao CL Tamandaré e Barroso,que eram os navios mais usados em campanhas institucionais da marinha.Navios majestosos que eram,só em olhar suas fotos em cartazes, faziam a gente "navegar" em uma viajem imáginária ao seu interior e ao redor do mundo e influenciado por essas imagens entrei para EAMES no ano de 1975, com apenas 15 anos de idade(o praça mais novo da Marinha na época e só entrei em função da minha boa classificação-a idade mínima era de 16 anos). No decorrer do curso passamos a ter contatos com fatos e histórias relacionadas a navios e o mais interresante de todas era com certeza o CL Tamandaré.Tive a oportunidade na época de vê-lo atracado no Arsenal de Marinha e minha imaginação ficava a mil.Conheci também na EAMES um CT Rego Barros e acredito que seja parente dos Srs.No ano de 1976,ainda na escola,tomamos conhecimento da baixa do Tamandaré,que seria seguida pelo Barroso e Custódio de Melo(outra lenda da MB)e então,o motivo maior da nossa entrada na MB,acabou.Quando somos jovens,queremos respostas imediatas aos nossos sonhos e o futuro longínquo, sempre entregamos a Deus.Sabia que a MB tinha outros navios, mas igual aquele não.Não me arrependo de ter saído da MB,mas sim,tenho uma frustação muito grande de não ter feito parte da guarnição deste monumento flutuante.Hoje sou delegado de Polícia e fiquei sabendo que um pedaço do meu sonho de infância repousa no fundo do oceano atlântico,ao sul do continente africano.Melhor do que saber que foi demanchado em alguma usina por ai.


2° SG-VN-RRm João Sangoi
Do período em que tive o privilégio de servir à bordo do CL Tamandaré ( de setembro de 67 a junho de 69) só guardo boas lembranças. Por ser um MN-SC safo e servir na 2ª DIV, nesse período fui timoneiro (exceto em DEM), patrão de lancha, guindasteiro (na popa) nas terríveis fainas de munição e ainda, em postos de combate, fui conteirador da torre 5. Foi realmente um imenso privilégio servir à bordo desse grande navio. Sem contar que, em viagem, nós, os CBs e MNs da 2ª DIV, éramos agradavelmente embalados ao som dos hélices cortando as águas do mar...Que saudade!!! Mas o motivo pelo qual estou escrevendo é fazer um pequeno relato de uma "boyzada" que cometi em um dia de faina, no Dique em PNR, no ano de 68 ou 69. Estava eu em cima de andaimes, no espelho de popa, tratando da linha d'água. Quando tocou volta às faxinas limpei o rolo sujo de zarcão no costado, escrevendo meu nome de guerra (num tamanho de aproximadamente 1,50m) na parte preta que restava da linha d'água. No dia seguinte, ao regressar, já vinha sendo avisado desde o portão do naval do 1° DN que devia explicações ao Comandante a respeito da "troca do nome" do navio. Nunca senti tanto medo de chegar à bordo! A minha sorte foi que o meu encarregado de DIV e o EGA do navio me conheciam bem e me safaram do temido "Livro Preto". Tal episódio foi motivo de piada por muito tempo. Existem inúmeros fatos que poderia citar. Muitos bons momentos e também engraçados dos meus tempos de Tamandaré. Fico feliz e lisonjeado de poder falar, por experiência própria, à respeito desse glorioso navio.


1ºten.(AA) Francisco Dantas de Almeida
Servi como praça de 1955 a 1964 na 2ªDiv.do Cl.12,aonde desempenhei varias funções no navio.A bordo forjei meu caráter nos exemplos dos meus superiores que me ensinaram respeito,disciplina e dedicação ao trabalho. O TAMANDARÉ,ainda vive nas nossas lembranças por tudo que nos legou,portanto, ELE não naufragou, continua navegando em mares de salutares recordações


Dimirson Holanda Cavalcante-1Sg-PL(Refo.)59.0485.31
Eram aproximadamente, 18 horas de uma tarde-noite, no ano de 1959. Saímos do Quartel de Marinheiros conduzidos em caminhão com destino ao CL Tamandaré. Jovem grumete, fiquei extasiado ao chegar ao cais norte do AMRJ. Cumprida as exigências de rotina, o CB de dia (Sim naquela época era tudo bem organizado)nos encaminhou à coberta destinada. Perdido nas cobertas do gigante Cruzador,percorri algumas no intuito de conhecer tudo que fôsse possível. Fomos designados para ocupar a coberta da Div. "E". O fato que marcou minha primeira noite no CL Tamandaré, foi a ocorrência de um princípio de incêndio, nas horas que habituou-se chamar de"horas mortas". O alarme ecoando intermitente retirou-me abruptamente do meu beliche. Sem entender ainda o que se passava, segui os tripulantes mais antigos do navio, deslocando-me por corredores e subindo escadarias. Isto levou alguns minutos. Ao chegar ao convés principal, na parte de vante, observei que os postos de incêndio começavam a ser dado volta! Mais tarde meus companheiros sorriam e faziam guerra comigo, chamando-me de "onceiro". A semana seguinte foi de intenso programa de adestramento, cujo instrutor era o 3SG-AT Façanha ou Faissal, não me recordo bem. Ele conhecia como ninguém, os compartimentos do gigante.Ao cabo de duas semanas, foi dado o pronto, dando conta que estávamos aptos para integrar os diversos departamentos/divisõs do navio. Guardo na lembrança os momentos vividos a bordo desse navio que motiva orgulho para quem nele serviu. As dificuldades e incompreensões experienciadas são frutos naturais de uma época marcada por cultura, evidentemente, diferentes relativamente, à que vivemos hoje. O fato doloroso que não pude mais esquecer, foi infausto acidente que vitimou o CB-TL Urbano Alves Cavalcante. Encarregado que era da Rádio II, ao cumprir inspeção de rotina nos equipamentos recebeu intensa descarga elétrica levando-o a óbito no recinto da rádio. O CB Urbano éra uma figura carimástica para os perfis marinheiros da época. Atencioso,bom chefe,(Sim naquela época o Cabo era revestido de grande autoridade)e amigo. Senti falta da presença dele! Da oficialidade, lembro o Comandante, Auler.O Tenente Mauro César (Mais tarde Ministro da Marinha. Tenente Sobrinho, Intendente. São assim portanto, estes breves lapsos de memória guardados em meu ser que me tornam parte integrante ainda da guarnição do saudoso CL Tamandaré. Sim, quase esqueci. A figura engraçada do "seu Segunda" (Era assim que tratávamos os maiores). O 2CL-SC mais conhecido como "Sacatrapa".Um suposto fato hilarinte, se é que assim possamos chamar, onde o ator foi o Sacatrapa. Guarnecendo Postos de Combate em uma das torres de canhão, acometido de terrivel dor instestinal, manteve-se incólume em seu posto, mesmo que isto custasse incômodo quase insuportável aos companheiros. Conta-se, que desesperado, sem poder mais conter-se, não hesitou em usar o capacete de combate para seu alívio, mas causando uma agressão terrível às narinas dos demais companheiros! Senhores, encontrei este site, percorro-o de quando em vez, e me dou conta, como Amamos nossa Marinha!


Helenize de Carvalho Moura
O Cruzador Tamandaré fez parte da minha infância através das histórias do meu pai que serviu nesse navio.As fotos que ele guarda com carinho e as histórias povoaram minhas fantasias de criança e hoje, lendo esses depoimentos compreendo o brilho nos olhos do meu pai quando contava as histórias do seu tempo na Marinha e percebo o quanto foi importante para ele e como serviu para que ele seja a pessoa maravilhosa que é. O Tamandaré continua navegando nos nossos corações.


SO-ES Refº José Carlos Barbosa Pinto
Fui um privilegiado! Transferido para a RRm em 1992, hoje na situação de Reformado, ainda, a emoção me invade e deixo transparecer o orgulho de ter sido guarnição do CL Tamandaré, motivo pelo qual faço este depoimento. Procedente da EAM-SC, embarquei no CL Tamandaré em agosto/64, como Grumete, e permaneci até maio/68, quando desembarquei para Curso de Especialização. O CL Tamandaré foi uma extensão da EAM, muita disciplina, espírito de corpo, lealdade, adestramentos e instrução militar naval, eram itens predominantes. O meu primeiro Navio! Era a Marinha de fato! Era o início da inha vida naval. Designado para o Dept. de Intendência (Div. I-1, Divisão de Material)era um trabalho, praticamente, de estiva, face ao quantitativo de material que se movimentava dentro do navio, contudo, o prazer e a impolgação superavam o sacrifícios. O Cais Norte da Ilha das Cobras era sua Base. Alí, engajados, oficiais e praças, todos, trabalhavam com muita dedicação, pois, na ocasião o navio fazia um grande reparo nas caldeiras e a ansiedade para viajar era grande. Até que em 1966 saiu a minha tão esperada primeira viagem, Operação Unitas VII (Rio-Montevideo-Rio-Salvador-Rio), e aí deslanchamos a viajar para Salvador, Recife, Operações Unitas VIII, Dragão III. A minha despedida do nosso saudoso Cruzador foi em 1968, com viagens para Buenos Aires-Puerto Belgrano-Rio Grande-Rio-Recife-Salvador-Rio. Neste período ficaram lembranças inesquecíveis, quem lá estava jamais esquecerá o carnaval de 67 em Recife, um incêndio de grande porte no chaminé, ocorrido pela madrugada, o encalhe na saída do porto de Montevideo, e outras tantas alegrias e emoções. Estou certo de que todos fomos privilegiados por termos sido escolhidos para servir naquela grande Nau, que era o orgulho da Marinha do Brasil. E mais envaidecidos ficamos quando lembramos que ele não foi destruído, seu destino foi repousar no fundo do mar.


Roberto De Lorenzi
Foi na Praça d'Armas do CL TAMANDARÉ que aprendi a ser marinheiro e a amar a Marinha! Este sítio eletrônico deveria ser mais difundido e atualizado com mais freqüência. BRAVO ZULU para seus idealizadores!


Antonio Rui Cordeiro Barbosa - MNSC 723384.3
Inicialmente gostaria de agradecer e parabenizar ao(s) criador(es) deste site. Há muito venho procurando encontrar antigos companheiros de Marinha e creio que, finalmente, através de um colega do RESERVAER, consegui. Servi no Tamandaré de dez/72 a jun/75, de onde saí para a Escola de Especialistas de Aeronáutica. Hoje, Cap R1 da FAB, reconheço que muito devo àqueles companheiros de 2ª Divisão, desde os Oficiais (Ten Santos Castro/Ten Corrêa de Sá (Fluminense roxo)/Ten Araken (que passou o meu conceito de 3 para 4)/Ten Paulo José/Ten Soares e Ten Victor, que foram meus chefes), 1º Sgt MR Bispo (meu eterno Contra-Mestre), 1º Sgt Artilheiro Humberto (chefe da torre 4), 1º Sgt MR Jácome, CB MR Antero, CB Artilheiro Ivo e demais marinheiros (são muitos, à medida que for lembrando vou citá-los). Minhas aventuras no Tamandaré começaram no dia, ou melhor, na noite do meu embarque. Éramos da Turma Juliet, oriundos da EAM-CE, e quando chegamos à baía da Guanabara, no fina l de dezembro de 1972, o navio estava fundeado. Imaginem a onça, aquela boyzada saindo da lancha para o flutuador, com aquele saco nas costas. Foram muitos tombos, mas ninguém caiu n'água. Porque fui para o Tamandaré. Este será o próximo capítulo.


Florencio C. Nascimento
Primeiramente, confesso que constantemente tenho visitado esta página para encontrar-me com o "saudoso Tamandaré". É deveras, emocionante reler aquela história. Tenho usado na minha área de trabalho (plano de fundo) a imagem do colossal e na proteção de tela a imagem original quando denominado Saint´Louis. Ouso sugerir ao "expert" que criou esta beleza, pelos meios da informática deveria apresentar uma imagem do CL-12 conforme a imagem quando CL-49. Se isto for possível, antecipo parabéns e agradecimentos em nome dos aficionados


Matias Coelho Filho
Como hoje, 06--2-2004, após o nosso tradicional almoço no Clube Naval, estou tendo o primeiro contato com o site, quero apenas participar que me sinto orgulhoso com o que me foi apresentado. Sinceramente, não sabia que estávamos tão adiantado no assunto. Confesso que me sinto aliviado pois reconheço a importância que merece a divulgação da história do nosso inesquecível Cruzador Tamandaré porém, por falta de informação a respeito, tive sempre a impressão de que era algo inexistente. Acredito que a distribuição feita hoje do endereço do site concorrerá significativamente para que sigamos em frente pois todos o divulgarão a outros e novas participações com histórias, fotos, informações etc irão enriquecer o site. Parabéns e sinceros agradecimentos deste que foi um dos primeiros a entrar no ainda CL-49 ST. Louis, em Fev de 1951.


Sebastião do Rego Barros
Trecho do livro KASUGA-TAI, UM LAÇO ENTRE O BRASIL E O JAPÃO, escrito pelo Capitão de Corveta João Metello de Mattos - Pode ser encontrado na biblioteca do Clube Naval(pág 29 a 31): "O cruzador havia sido destacado naquele ano de 1964 para receber, em Santos, as doações da população paulista ao Tesouro Nacional, como ajuda para o pagamento das dívidas do Tesouro com o exterior. Era a campanha "Ouro para o bem do Brasil". As doações eram constituidas por ouro e jóias, que foram escoltadas pela Marinha para o Banco Central, no Rio de Janeiro. O comandante decidiu que os volumes contendo as doações ficariam no elevador do hangar. O elevador destinado a transportar o helicóptero para o convés, foi transformado em sala de segurança. Para esse fim, o elevador foi parado e em seguida desligado, a meio caminho entre os dois convéses, dificultando o acesso aos volumes que continham os valores. Como medida complementar de segurança, foi escalada uma guarda para fazer a segurança das doações. Essa guarda passou a dar serviço em quartos de quatro horas. E foi na qualidade de chefe da Divisão II, à qual estavam afetas as áreas de paióis e o controle de estoques de sobressalentes do navio, e consequentemente ao qual se subordinava o elevador do helicóptero, em sua nova condição de paiol de valores, que o ten Porto Netto recebeu um esbaforido fuzileiro. "- Tenente, eu vi, eu vi..." O fuzileiro mal conseguia falar. "- Calma, naval. Você está pálido. Respira fundo." O naval, após alguns segundos para recuperar a falta de ar, declarou, soltando todas as palavras de uma vez, num jato contínuo: "- Eu estava de plantão, junto ao elevador do hangar, vigiando o ouro, quando vi um piloto japonês." "- E de que lado surgiu o piloto?" - indagou o tenente. "- Eu estava no convés do hangar voltado para a popa, e quando voltei-me para a proa deparei com aquele vulto que se aproximou atravessando o convés e caminhando para a cobertura de ré. Fiquei apavorado e corri para informar o ocorrido. Agora, tenente, por favor me tire desta escala de plantão." "- Calma, naval. Passe na enfermaria para tomar um calmante. Quanto a você sair da escala de guarda ao ouro, irei acertar isso com o sargento da sua divisão." O ten Porto Netto efetivamente foi obrigado a fazer a substituição do naval, dado o nível de angústia que a visãotroxe para o soldado fuzileiro. Outros casos poderiam ser relatados, no entanto, eles apenas contribuiriam para ampliar o número de páginas deste livro, sem que isso representasse aumento de credibilidade para o que está sendo relatado. Dessa forma, não me propus a pesquisar outros casos de contato, mas apenas reunir e narrar ocorrências que, atrvés de um navio, o CL Tamandaré, entrelaçam histórias de duas Marinhas e permitem compreender a missão do Kasuga-Tai. Haveria alguma relação entre o afundamento do navio e as histórias sobre o Kamikaze que era visto por seus corredores? Aquele piloto que havia trocado sua vida pelo propósito de afundar o navio, agora finalmente, passados 35 anos, oito meses e sete dias da entrega de sua vida, conseguira atingir seu objetivo: levar o cruzador para o fundo do mar."


Sergio Ramos do Nascimento
Como 2ºten (RM CA) tive o privilégio de fazer parte da última tripulação do nosso Grande e último Cruzador. Para nós que começávamos uma carreira foi talvez a maior escola prática que um oficial podia ter. O famoso livro preto de Ordens e procedimentos; o Livro vermelho do CAV;e etc... fazia o orgulho dos tripulantes, Oficiais e Praças, que com certeza trazem arraigados em nossos corações até os dias de hoje. Tendo desembarcado somente após a mostra de desarmamento pude levar para os outros navios aos quais servi por mais cinco anos aqueles ensinamentos, cordialidade e orgulho de ter servido em tão grandioso navio. Como sugestão porque não incluir a última oficialidade cuja maior honra foi ser presenteada com uma parte do seu convés de madeira que é sem dúvida uma lembrança eterna de poucos privilegiados.


Humberto Teixeira
As datas das próximas reuniões estão referidas ao ano 2000.Mas isso não importa, o que interessa, é o amor,a saudade e a fraternidade que essa bela pagina propicia.Os idealizadores são dignos de grande admiração pela contribuição à história e à cultura brasileira. Parabens


Ernesto dos Santos Castro
Achei a página por acaso, quando buscava saber dados sobre os submarinos Classe Guanabara. É bom ver que ainda existem bolsões de brasilidade, nacionalismo, patriotismo,sentimentos tão em baixa cotação em épocas de colonização econômico-financeira, travestida de uma coisa chamada globalização e sobretudo carinho para com as nossas Forças Armadas, que ora lutam com tantas dificuldades orçamentárias.Congratulações e que Deus abençõe a todos aqueles que ajudam a manter vivas as lembranças daquilo que foi importante para tantos e que deveria ser importante para todos nós.


Manoel Fracisco dos Santos
Sou um ex-CB-OR e servi no Cruzador Tamandaré entre 68/75 tendo saído apenas para curso de especialização. Encontrei no link características, ítem, Centro de Informações e Combate (CIC),sub-ítem, principal o seguinte:1 repetidora projetada VG.Gostaria de lembrar,se me permitem,que o modelo desta repetidora é VJ.No mais,estou muito contente em ter encontrado este site e quero parabenizar os seus idealizadores.


Rosa Maria Leão Corrêa De Luca
Descobri a página do Tamandaré por acaso e fiquei muito emocionada. Sei que meu pai, Darly Corrêa, se ainda estivesse vivo, ficaria muito feliz e orgulhoso. Tanto quanto nos vários anos nos quais nele serviu e no período que o comandou.


SO(EL)(EK)Carlos Bonasser
Venho fazer breves relatos que após 38 anos ainda fervilham em meus pensamentos e às vezes em meus sonhos, claro que os encontro agradáveis; de fato nos enche de nostalgia o fato de termos servido e vivenciado momentos inesquecíveis naquela belonave, hoje já afastados daquela Escola forjadora de verdadeiros homens do mar, sem desmerecer os demais navios, observamos ser o CL Tamandaré um gigante, em tudo. Lembro-me que nós, os "de maquinas", passávamos às vezes semanas sem irmos até a área da proa, de tão grande que era. E por falar em maquinas, hoje lendo o NO MAR vejo o Almirante Marcus Vinicius, que lá conheci como 2º Tenente, no Depto. de Maquinas, é motivo de orgulho, corroborando mais uma vez que aquela unidade naval não era somente mais um navio de guerra, mais também uma verdadeira Academia; das mais diversas formações, tanto nas graduações como nos postos, pois, daquelas cobertas e praça d’armas saíram excelentes profissionais e verdadeiros tutores, exemplos para os jovens centuriões que por nossas vidas passaram. E a faina de lona e areia, como era interessante aquele clima de faxina e ao mesmo tempo de festa, sim por que a faina era não só regada a uns poucos drinques de caipirinha como também regada a samba pelo sistema de som do navio... era impressionante como fluía tão tranqüila aquela faxina, o clima, era um paradoxo, pois, da alegria pelo fato de estarmos limpado o convés e ao mesmo tempo sambando... achava aquilo tudo impressionante, pois, oriundo do nordeste jamais tinha visto aquilo, ficou gravado em minha mente. As celebres corridas de milhas contra o CL Barroso, nosso constante oponente naquela modalidade, o nosso navio se tremia todo dando tudo para vencermos, mais no final quem vencia mesmo era a nossa Armada, que contando com a boa vontade e dedicação de seus bravos, onde os mesmos colocavam o navio em situação ímpar de aprestamento, aquele era um tempo belo e de lembranças sem igual. Ainda me recordo de quando fomos à argentina creio que 1971 ou 1972, não me lembro bem ao certo, o fato é que já chegando bem em frente ao Porto de BBAA, nós encalhamos, na lama e para variar ficamos, os da Maquina, até de madrugada tirando lama a balde, pois, as bombas haviam aspirado lama e inundado alguns sistemas da maquina... depois, quando atracamos foi só festa. Recordo-me, também, das sessões de cinema na popa em que o pessoal se concentrava sentado no convés e se deleitava com o filme, depois pegar a jacuba com pão, singelo e nostálgico prazer que não se tem noticia nos dias de hoje, onde cada coberta tem seu DVD... é o progresso, acaba com o elã de certas coisas, isso deve ser encarado como normal. Não posso me esquecer de relatar como achava impressionante as lanchas amarradas ao Pau de Surriola, achava magnífico, pois, o pouco que havia visto de navio era em filmes e poucos de guerra, tudo no Tamandaré era inusitado, pois o seu tamanho era compatível com as inúmeras manobras realizadas pela sua tripulação... era cansativo mais era recompensador. Outra lembrança interessante é de que uma vez que estivemos em Santos, não sei por que carga d’água apareceu um filhote de cachorro no navio e aí resolveram adotá-lo como mais um mascote, o pessoal da Faxina do Mestre, visto que a PATESCA, que era antiga mascote encontrava-se prenha e fora do navio. Então em um belo dia por ocasião do cerimonial á Bandeira, quando o comandante se posicionava para os momentos finais do cerimonial, o danado do "doguinho" começou a morder a calça do Comandante e a puxar, o mesmo numa demonstração de postura marcial, justamente pelo momento em que isso tudo ocorria, nem se molestou com o episodio. Tranqüilo se portou e até hoje não se sabe se lhe aborreceu e deu uma bronca no responsável ou se foi mais uma daquelas lições proporcionadas por aquele navio, aos mais jovens, de que nada deve interferir negativamente na vida de um navio como foi aquele. Ainda me lembro como éramos conduzidos nos adestramentos pelo Comandante Lomba, encarregado do CAV, como ele era vibrador e passava aquela garra para os mais novos como eu e minha turma de Marinheiros que acabávamos de chegar, hoje quando me vejo divagando as boas lembranças revejo todo aquele cenário, inclusive os incêndios na chaminé de ré, e o quanto foi importante na minha formação, muito embora o tempo passado naquela Academia Naval tenha sido curto, mais o suficiente para marcar de maneira eterna a sua silueta altiva, típica de uma nave de Guerra, nos idos recentes em que nossa Marinha era de Guerra e que em nossos gorros traziam escritos com muito orgulho "MARINHA DE GUERRA". Fui oriundo da EAMCE, no ano de 1970, cursei Eletricidade, Escafandria, depois Sargento, Suboficial e reserva, trajetória curta, porém recheada de inúmeras viagens e aventuras por esse nosso Brasil, hoje encontro-me em Fortaleza, pai de um garoto lindo e interessante, o Victor ao lado de minha fiel escudeira e companheira; após dois anos na reserva decidi estudar novamente, me formei em Direito e estou planejando agora em 2008, iniciar uma Especialização e assim vou alimentado o espírito com o saber e o amor em família. Fico contente pela oportunidade de fornecer esses pequenos, porem fortes relatos, vistos que extraídos do fundo do coração de um jovem lobo do mar. Sem mais para o momento, aproveito para parabenizar o Comandante Rego Barros pela iniciativa que com ela enche de gloria esse personagem naval que é o nosso inesquecível CL TAMANDARÉ, um forte abraço a todos que visitam o SITE, saúde, sucesso e muitas bênçãos, são os nosso eternos desejos.